In Search of you

Expressao sapiente dum interior duvidoso ou de situações quotidianas/imaginárias. "Archives" são sempre interessantes de ser consultados.

sábado, março 11, 2006

Porque

Porque se olhares para o lado a meio da noite, eu estou lá, na almofada do lado, ou roubando-te um pedacinho da tua.
É. Estou.
Ou com um sorriso parvo na boca, e ai de certeza que estou a sonhar com o há bocado, onde tortuosamente me negavas beijos e fugias de mim, deslizando pelo meu corpo, a provocar-me como quem não quer a coisa. A insistires em não te desnudares, só pelo puro prazer de me ver salivar por ti, arfar de desejo, quase implorar para que me deixes agarrar-te. Tu muito gostas disso, és muita estúpida. Pensas que tem piada, expores-me assim, toda a minha fragilidade por ti? Mas vá lá... depois até que compensas, pelo menos esforças-te, entregas-te ao teu silêncio, ou aos teus uhmmms, e deixas-te a meu cargo. Até que te lembras que mandas, e dá tudo meia volta. E rio-me, claro. Tem piada, este nosso jogo de sedução, de aumentar pela proibição, nunca diminuir pelo fácil consumo.
Ou então, de boca escarrapachada, aberta, a escorrer baba, na mais infantil e dócil visão que podes ter de mim, pernas fora da roupa da cama, braço contorcido de ângulo duvidoso, quase que a quebrar, temes tu. Observas-me, curiosa. Como ficará o meu pé, depois da tatuagem. Tens logo ciúme. Não queres que vá para a praia assim, com o pé tatuado, "aquelas megeras" soltas, não queres que olhem para mim. Também não queres que saia de preto, "fica-te bem" reclamas, "és só meu". E ali, sou só teu, por isso tranquilizas-te, e encostas-te ao meu peito.
E se estou acordado? Então chocas com os meus olhos. E que resta fazer, senão soltar aquele sorriso tímido? E mergulhamos num novo abraço, voltamos a adormecer, envoltos em fetiches de pijamas de seda, brancos, pretos, laranjas, rosas, roxos, whatever. Mas abraçados um pelo outro. Envoltos no que quisermos. Mas abraçados um no outro.

sábado, março 04, 2006

Será que é desta? A ver vamos.

É tarde. Não sei que horas são. Só sei que de modo tão cliché como nos filmes de série B, chove. Chove, bate a água nas janelas do sotão, tamborila com os dedos neptuno, e eu contorço-me e encolho-me, anseio e desespero.

Cheira a ar condicionado. O mesmo que me pedias tantas vezes para ligar. Porque tinhas frio. "Eu aqueço-te"; "Deixa de ser parvo, estou mesmo com frio..."; "Tá bem, eu ligo o AC, mas vens pa minha beira". E vinhas. Também tinhas sempre essa mania estúpida de te vestires com pouca diferença no que tocava à quantidade de roupa, fosse verão ou inverno. E depois ficavas doente, e depois "doi-me a garganta", e tanto "não te quero ver com aquelas gajas, mas tenho que ir para casa", e tão pouco "amo-te, desejo-te, aqui e agora".

Mas tinhas uma boa imunidade. Sorrio. Dava para não ser nada daquilo, para ser mais um abraço, mais um beijo, mais uma boca molhada perdida noutra. Mais uma língua a passear, gemido aqui, gemido acolá, urro de satisfação. E levava-te a casa.

"Aiii.. está tanto frio."
"Pois está; anda pa frente, vestisses roupa, não quero saber".

segunda-feira, janeiro 02, 2006

Ressoar

Eu só sei que desabafavas. Já lá vai tempo, muito tempo, mais do que devia para eu poder bem precisar quando foi. É um tudo um bocado nublado, assim como quando bebemos um bocado demais e a realidade insiste em surgir-nos manchada nos cantos. Mas eu lembro-me, sei que desabafavas.
Sei que disseste, a medo (eras muito marcada pela insegurança, demasiadamente marcada para uma pessoa como tu, e custou-te muito a perder o medo de mim; ainda tens um bocado,porra, mas ao menos, vá lá, ao menos agora aguentas vinte segundos a olhar-me nos olhos), com aquele leve sorriso e aquele destruidor mas terno olhar para baixo, aquilo. Era um bocado como um anuir, esse olhar para baixo, ainda que não anuísses a nada. Mas naquela noite, revelaste um bom bocado de ti.
Era escusado, já não nos ignorávamos. Já sabíamos para o que caminhávamos, para onde quase que corriamos, bem juntos, mas sem nos abraçarmos, apenas de mão dada. E tu ias perdendo o medo, a pouco e pouco, a muito pouco e muito pouco. E disseste. E eu fiquei parvo. Não me lembro bem do que respondi, devo ter feito aquela minha cara que tu tanto gostas, devo ter contraído estes olhos que eu teimo em não gostar, mas lembro-me do que senti. Fiquei incrédulo, porquê, mas que parvoíce, mas como é que ao fim de tanto tempo e... e nada! Mas que raio de ligação tinhas tu e ele? Que sentimento havia ali? Porque é que te arrastaste ali, porque é que estávamos tão condicionados por causa de... de nada?
Nada. Mais de um ano, e nada, nunca lhe tinhas dito isso. E aquilo ressoou na minha cabeça, umas vezes mais, outras menos... Mas hoje, ressoou com mais força. Hoje bateu forte, quase que dava dor, mas uma coisa boa não pode dar dor. Senti-me como se tivesse passado um fantasma pela direita. Confesso-te que me interrogava como é que sentias tanto por mim e te encolhias um bocado "ao toque", quase como a estrela do mar quando lhe tentamos tocar. Mas hoje... hoje, a medo, um bocado a medo, ainda, lá disseste. Lá te soltaste, finalmente, lá mostraste de vez que rompeste com quase a última réstea de medo que tinhas. Que o que tão habilmente, violentamente, apaixonadamente, torridamente mas carinhosamente, tranquilamente construimos é agora uma parede dura como betão. Que te entregas completamente a mim, sem sombra para que algum incauto duvide. Que me consomes, que me queres consumir em ti, a arder por dentro de ti, a chorar com a tua alegria, a sorrir na tua orelha, a beijar a tua bochecha, "queridamente" como naquela foto sépia, como temos vindo a fazer.
O que se sentia, o que pairava, o que começava a ser óbvio, foi dito. Não que eu já não soubesse, mas desculpa, também tenho os meus fantasmas. E pronto. And so it goes, e eu sorrio, embora tudo me pareça um bocado estranho ainda. A mudança de paradigma, a mudança de palavras, o que de certo modo isso representa, o medo de te falhar, o medo de me falhar em te bastar, o medo de não me conhecer bem, da merda da minha bipolarização vir ao de cima, tudo isto faz-me tremer um bocado. Mas estou mais velho, e desta vez, não cedo a outros impulsos que não aos teus, não vacilo na ponte à primeira ventania. Encolho-me, espero que passe, sigo para a frente, e logo lá estás tu, a beijar-me, morder-me, a arranhar-me as costas. A amar-me.

O 1 Setembro

O 1 Janeiro é o que para mim deveria ter sido o 1 Setembro. Voltou de férias o blog. Cá estou eu, a escrever.
Desculpem os meus fiéis. Desculpem os meus leitores. O desleixo não foi negligente, foi provocado. Muita mudança, vida nova, adaptação turbulenta, e algumas coisas tiveram de ser deixadas para trás, embora não necessitassem. O blog foi uma delas, estupidamente. Está de volta, à medida que o tempo me deixe postar, pois com um bocado de organização vou manter tudo na minha vida.

Logo já meto algo a sério up.
Obrigado a todos :)

sexta-feira, julho 22, 2005

Férias

O blog está a apanhar Sol. Eu queria continuar a escrever, mas ele é irredutível: foi para a praia. Assim sendo, a caneta sem papel só serve para escrever no corpo; e esse, eu não mostro.

Até ao regresso de férias do blog.

quarta-feira, julho 13, 2005

Windy

Parei. Parei por um tempo. Apeteceu-me, e acho que me devo regozijar sempre que posso... Não escrevi mais porque achei que devia parar um bocado. Cortar um bocado os elos. Afinal, a busca que deu nome a este blog de certa maneira acabou. A busca específica. A busca do "you", essa, será eterna. Mas do you, essa, oh... essa já foi. Vento que atiça as chamas fê-las arder, tal como a busca agitada por muitos turbilhões... e então, dei-me folga.

Entreguei-me ao vazio de ideias. Ao vazio de sensações, de novas buscas, de nova vontade, de incessar calcorrear... Entreguei-me ao saldo 0 do telemóvel, a um certo isolamento de quimeras. Entreguei-me a mim.

E tem piada... não me dei nada mal. Foi bem mais fácil do que eu pensei... de facto, acho que a partir do primeiro abanão me apercebi de tudo. A partir daí, comecei a esmorecer, comecei a acabar em mim o tu. Em vez de ser de um momento para o outro. Paulatinamente, como diria o outro. E tem piada.

O you agora é fictício. Já não existe. Turning point is here.

E tem piada, porque enquanto me entregava ao estudo, tinha-te na mente. Chegadas as 16.30, dava-se inevitavelmente aquela vontade de parar por um bocado. Olhava para trás, via a colcha branca a pedir o meu corpo nela, o desenhar de mim no seu relevo. E eu entregava-me, e deitava-me lá um bocado, olvidava um pouco o que circulava, ali, a sentir a luz quente do Sol que passava pela janela a abraçar a minha barriga, a percorrer com a sua língua bafejante o meu torso... e via-te ao meu lado. De pele escurecida, como quem tivesse sempre estado em férias numa zona balnear qualquer. A saia branca, o cabelo pelos ombros, os braços magros a passarem-me pelos ombros. O olhar suplicante, mas matador. A boca agressiva, mas débil. A cabeça inclinada, subissa e no entanto, desejosa. E eu acariciava-te a cara... lentamente passava dois dedos pelas tuas maçãs do rosto, lentamente fechava um bocadinho os olhos, lenta e intensamente deixava-me envolver por ti, entrava em ti, respirava-te e em ti, via-te e percorria-te. Sem parar, incessantemente. Fiel a ti, como há muito. Morto de desejo, vivo de alegria. O dedo mindinho, esse navegava pelo teu antebraço... buscava aquela cova oposta ao cotovelo, aquela zona que te arrepiava, que te fazia precipitar para mim, para o meu peito.

Queria-te. Muito. Nunca deixei de te querer, acho. E ainda agora quero. Mas acho que será uma ténue obsessão minha... porque pensando bem, pesando bem os pratos da balança, não me desiquilibras... mas estás recorrentemente na minha mente. Insistentemente.

terça-feira, maio 10, 2005

Carta à mulher do Adamastor

"Déjà vu. Não é a primeira vez. Been there, done that, got the t-shirt. É recorrente. Estou aqui, no meu leito, deitado, suavemente massajando a barriga, abraçando as costas com a mão que me resta, e interrogo-me se não poderia estar a aproveitar melhor a areia que corre na efémera ampulheta da vida. No entanto, ou cependant (confesso, a toada francesa confere-me um certo conforto, um "je ne sais quoi") não me estou a restringir ao imediato quando penso em tal. Não me interrogo se não poderia estar em alegre tertúlia com os amigos de sempre, copos escorreitos, cinzeiros cheios. Interrogo-me se vale a pena amar-te.
Desculpa o choque, a ruga de expressão que certamente motivei ao franzires o teu sobrolho. Desculpa tudo, tágide minha. Desculpa até este pensamento meu, este desviante fluir de raciocínios. Valerá a pena amar-te assim ? Não estarei eu a construir algo parco em força, que tu com um sopro deitas abaixo ? Não estarei eu a dar tanto de mim, demais de mim ? "Para além da Taprobana" cantava o lírico do olho, reiterava o "por mares nunca dantes navegados´. É nisso que penso. Navego eu os teus mares ? Alguma vez voltarás a escorrer em mim ? Poderei voltar a deitar-me com aquele sorriso na cara, teu sabor divino em mim, tua cara tão perto dos meus olhos ? Eu... luto para que sim. Contra mim, e contra ti, contra outras e contra outros. Quimera com obstáculos e impertinências que me levantam, calai-vos amigos meus, não me demovais que a mente também sofre, o sorridente também labuta consigo. Luto contra tudo, por ti. E vale a pena, só por tudo o que tenho contigo. E há-de valer. ( QUERO MUITO PENSAR ASSIM ). Hei-de olhar para trás e dizer: sim, não os ouvi, ainda bem. Agora dorme. Descansa em meu peito, dorme em teu leito.
A mente não escreverá mais hoje."

Encontrei isto por aqui. Andava sem querer escrever há muito... e sorri ao ler isto. Como somos mutáveis.

quarta-feira, abril 20, 2005

Achados, achatrizes, achamentos, acharruaças

Acho que hoje vim para casa cabisbaixo.
Acho que não é minimamente normal eu vir para casa cabisbaixo.
Acho que apenas se concretizou o que eu tinha encontrado.
Acho que gostas tanto de mim como dantes.
Acho que só tens espaço para uma pessoa ao mesmo tempo.
Acho que gostas tanto de mim como sempre, ainda assim.
Acho que gosto tanto de ti como sempre, ainda assim.
Acho que apenas me sinto um bocadinho triste por ver que nem sempre sou eu no espaço.
Acho que caminhar a olhar para o chão não me fez bem.
Acho que não gosto deste peso no peito.
Acho que pensar "foda-se" não é minimamente um pensamento reconfortante.
Acho que não pode ser tudo quando queres; também tem que ser quando eu quero.
Acho que se calhar dou-me demais.
Acho que me tocaste um bocadinho sem dar por ela.
Acho que gostas tanto de mim como sempre, ainda assim.
Acho que gosto tanto de ti como sempre, ainda assim.

Acho que hoje apenas tou um bocadinho mais triste.
Acho que se calhar nem tenho razão.
Acho que se calhar é do tempo.

Acho que é.

sexta-feira, abril 15, 2005

Amarguras

Faço algo que nunca fiz... completamente alheado de tudo, já nao escrevo, já não me sento em frente ao papel. É certo que a rotina envolveu-me, abraçou-me e colou os lábios ao meu pescoço, fazendo com que todo o tempo que tenha pareça pouco para a aproveitar... como quando estás tu abraçada a mim, com os teus lábios colados no meu pescoço, e enfim, e enfim... enfim, quero mais tempo para ti naquele momento. Mas pronto, sento-me então em frente ao monitor. Estou para aqui a pensar em ti, como é óbvio, como foi óbvio durante todos estes meses mas... mas vêm-me a cabeça algumas amarguras.
Heck, eu sou uma pessoa de sorriso fácil, gargalhada pulsante, com energia. Mas sempre tive uma série de amarguras, nunca muito sérias felizmente, porque convenhamos, a vida para mim é fácil. Sempre me amarguraram aqueles imbecis que em tempos partilharam mesa comigo, que tantos jogos de futebol, tanta alegria juvenil inocente soltaram comigo, que tanto sorriso partrilharam, espaços longos correram, e de repente... wow, de repente não sabem quem sou. O que isso me irrita... de repente, o social para eles muda, parece que já não sou digno deles, ou quiça digno a mais. Também sempre me amargurou o facto de não poder relaxar, ter sempre aquela pressão em mim, tudo a esperar o máximo de mim e eu não poder simplesmente dar numa de adolescente parvo e rebelde e marimbar-me para tudo, e recolher ao sofá tranquilamente, sem expectativas. Mas convenhamos de novo... não são grandes amarguras pois não ? Não, não são. Eu já disse, a vida para mim é fácil.
Mas agora tenho outra amargura... e esta, oh... esta dói mais... Foi ter sentido o que era certo por ti na altura errada. E estar errado na altura certa. Merda de desencontro contigo, merda de desencontro com o destino (ou quiças, encontro em cheio, choque cara com cara)... e eu sempre disse que tudo podia ser tão simples, eu sempre pus a hipótese de isto um dia acontecer... E agora estou irritado. Amargurado. Porra pá, eu nem sei que dizer, tenho a mente completamente turvada... Sabes disso, já te disse, não resisto a tar contigo daquela maneira, corpo com corpo, alma com alma... há aquela coisa terrível, magnética, aquele arrastar dos lábios para onde não devem. E olha, volto para o trance, não há nada a fazer...


"I know what you're needing, my thoughts are leading..."

Desculpem a atabalhoação.

quarta-feira, abril 06, 2005

Linear

Nem tudo é linear...
Como tal, quanto é 1+1 ?
1 ?
2 ?
3 ?
1 1/2 ?

Ou 0 ?

...